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Depressão

A Psicoterapia como antídoto para a depressão?

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O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza) quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s).

De acordo com a psicologia, os sentimentos de tristeza e alegria colorem o fundo afetivo da vida psíquica normal. A tristeza constitui-se na resposta humana universal às situações de perda, derrota, desapontamento e outras adversidades. No entanto, quando isto torna-se um problema de ordem psíquica, é preciso recorrer a formas de tratamento. Mas afinal, no que consiste a depressão e qual seria o antídoto para curá-la?

A neuropsicóloga Roselene Espirito Santo Wagner revela em que consiste a depressão para um melhor entendimento do tema: “Enquanto “sintoma”, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas. Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite). Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc”.

Sintomas gerais da depressão

Embora a característica mais típica dos estados depressivos seja a proeminência dos sentimentos de tristeza ou vazio, de acordo com a Dra. Roselene nem todos os pacientes relatam a sensação subjetiva de tristeza. Muitos referem, sobretudo, a perda da capacidade de experimentar prazer nas atividades em geral e a redução do interesse pelo ambiente. No diagnóstico da depressão levam-se em conta: sintomas psíquicos; fisiológicos; e evidências comportamentais”.

Sintomas psíquicos

Segundo a especialista, os principais sintomas psíquicos se manifestam através do que ela chama de humor depressivo, caracterizado pela sensação de tristeza, auto desvalorização e sentimentos de culpa: “os pacientes costumam aludir ao sentimento de que tudo lhes parece fútil, ou sem real importância. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir alegria ou prazer na vida. Tudo lhes parece vazio e sem graça, o mundo é visto sem cores, sem matizes de alegria. Em crianças e adolescentes, sobretudo, o humor pode ser irritável, ou rabugento, ao invés de triste. Certos pacientes mostram-se antes apáticos do que tristes, referindo-se muitas vezes ao sentimento da falta de sentimentos. O deprimido, com freqüência, julga-se um peso para os familiares e amigos, muitas vezes invocando a morte para aliviar os que o assistem na doença e manifestando desejo de suicídio muitas vezes”.

Sintomas fisiológicos

A neuropsicóloga aponta alguns dos principais sintomas fisiológicos da depressão:

Fadiga ou sensação de perda de energia. A pessoa pode relatar fadiga persistente, mesmo sem esforço físico, e as tarefas mais leves parecem exigir esforço substancial. Lentifica-se o tempo para a execução das tarefas.

Alterações do sono (mais freqüentemente insônia, podendo ocorrer também hipersonolência). A insônia é, mais tipicamente, intermediária (acordar no meio da noite, com dificuldades para voltar a conciliar o sono), ou terminal (acordar mais precocemente pela manhã). Pode também ocorrer insônia inicial. Com menor freqüência, mas não raramente, os indivíduos podem se queixar de sonolência excessiva, mesmo durante as horas do dia.

Alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite). Muitas vezes a pessoa precisa esforçar-se para comer, ou ser ajudada por terceiros a se alimentar. As crianças podem, pela inapetência, não ter o esperado ganho de peso no tempo correspondente. Algumas formas específicas de depressão são acompanhadas de aumento do apetite, que se mostra caracteristicamente aguçado por carboidratos e doces.

Evidências comportamentais

Retraimento social
Crises de choro
Comportamentos suicidas
Queda no interesse sexual
Retardo psicomotor e lentificação generalizada, ou agitação psicomotora.
Freqüentemente os pacientes se referem à sensação de peso nos membros, ou ao “manto de chumbo” que parecem estar carregando.

A Psicoterapia como antídoto para a depressão

A Dra. Roselene Espirito Santo Wagner aponta que, embora a psicoterapia não é propriamente um meio de encontrar repostas para as questões que temos, isto ocorre com muita frequência, tornando a psicoterapia um caminho possível para tratar a depressão: “a psicoterapia deve sim ser um instrumento que nos auxilie a fazer as perguntas necessárias para o processo do autoconhecimento, da autopercepção. Uma vez feita a pergunta, podem existir inúmeras respostas possíveis. Todas elas certas. E, principalmente, todas elas fruto de um maior autoconhecimento promovido pela própria formulação da questão. Tudo isso é o que se deve buscar, essencialmente, na psicoterapia. Quando conseguimos um contato genuíno conosco mesmos, quando somos capazes de confrontar nossas crenças arraigadas, quando podemos nos aceitar como somos, quando estamos conscientes de nossas necessidades; aí sim nossas questões emergem com clareza. E esse momento em que estamos conscientes de quem somos e nos aceitamos desse jeito mesmo, é o momento que a mudança é possível”.

Como o profissional atua no tratamento do paciente depressivo?

Através da psicanálise, o profissional resgata a dimensão propriamente do sofrimento como mobilizador e expressão dos processos subjetivos. Nesse sentido, a psicanálise parte de uma abordagem mais propriamente compreensiva do discurso do paciente: “a depressão é uma Neurose Narcísica, tem a ver com o seu eu e a sua relação consigo mesmo. Logo, o objetivo da psicanálise e da psicologia de modo geral para este caso é oferecer ao paciente total sigilo e segurança de eu pode ser quem eu sou, para me tornar quem eu desejo”.

A Dra. Roselene aponta os dez passos para o profissional de psicanálise no tratamento da depressão:

1- Ouvir o paciente,
2- Fazer com que ele falando também se ouça.
3- Ao se ouvir ele mesmo irá refletir sobre sua condição.
4- Articulando palavras, que dão nome a emoções e sentimentos na grande maioria das vezes “egocêntricos”.
5- Quando nos enxergamos pelos olhos dos outros. Nos revelamos à nós mesmos.
6- Desenvolvendo massa crítica, geramos autocrítica e também autorresponsabilidade.
6- O que estou fazendo comigo? Como posso fazer melhor? Onde estão os meus prazeres? Como posso flexibilizar o momento, a vontade, o desejo a necessidade?
7- O que posso usar de razão para buscar motivação?
Na falta de motivação, o que pode ser um estímulo?
8- Onde posso chegar com o que já sei e já fiz?
9- Como posso transmutar o sofrimento em experiência, lição e sabedoria?
10- Onde posso usar esse saber? Como posso modificar e impactar positivamente a vida alheia a partir do que “sei”, sobre o momento que vivi?
Articular o pensamento, com auxílio desse “Ego Auxiliar “, o “Sujeito Suposto Saber”, que me orienta e me organiza para que eu me veja e me revele para mim mesmo, dentro do “setting terapêutico”.

Claro que para todo e qualquer mal, multifatorial, não podemos dispensar a equipe multidisciplinar. Que envolva: os cuidados físicos, medicamentoso (S.O.S) e alimentar .

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